#Manipulação #Comportamento #CiênciaComportamental #UK #Nudge #DavidCameron #GarySidley #RichardThaler
O artigo traz à tona a influência significativa da ciência comportamental no governo do Reino Unido, evidenciando como estratégias de manipulação psicológica moldam o comportamento dos cidadãos. Através de técnicas sutis, os technocrats do Estado buscam alinhar as ações da população com o que consideram ser o melhor interesse coletivo. A transparência e o debate aberto são colocados em segundo plano, dando espaço para a atuação discreta de nudges, que permeiam diversas esferas da vida cotidiana, desde desafios de saúde até interações com instituições públicas.
Além disso, a pesquisa revela a proliferação da ciência comportamental no Reino Unido como um objetivo estratégico do governo, evidenciando a ênfase na influência psicológica em momentos de “crise”, como durante a pandemia de Covid-19. A implementação de estratégias baseadas no medo, na vergonha e na culpabilização, orientadas por conselheiros de ciência comportamental, evidencia uma abordagem de coerção emocional para garantir a conformidade com restrições e políticas governamentais, como a campanha de vacinação.
A trajetória que levou o Reino Unido a adotar práticas tão difundidas de manipulação estatal tem suas raízes em duas correntes evolutivas: o behaviorismo psicológico e a economia comportamental. Elementos como o condicionamento clássico e operante e a racionalidade limitada dos indivíduos são apontados como bases para a aplicação de nudges no âmbito governamental. A influência de estudiosos americanos, como Watson, Skinner e posteriormente Tversky, Kahneman, Cialdini, Thaler e Sunstein, é destacada na consolidação dessas abordagens no cenário político.
Essa abordagem, embora embasada em princípios aparentemente benéficos, levanta questionamentos éticos sobre a legitimidade do Estado em manipular as crenças e comportamentos dos cidadãos segundo seus interesses. A disseminação da ciência comportamental na esfera política do Reino Unido, impulsionada por colaborações entre acadêmicos americanos e líderes políticos locais, revela um cenário onde a persuasão coercitiva por meios psicológicos se torna uma arma poderosa nas mãos das autoridades governamentais.






