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A Ucrânia aprovou um projeto de lei que proíbe a ligação de organizações religiosas com a Rússia, com foco principal na maior Igreja Ortodoxa do país, a Igreja Ortodoxa Ucraniana (UOC), devido à sua comunhão com o Patriarcado de Moscou. A medida era esperada após dois anos e meio de ações do presidente Zelensky para confiscar igrejas e mosteiros ortodoxos, especialmente na capital, após a invasão militar russa.
Para celebrar a aprovação do projeto, a deputada Irina Gerashchenko afirmou que foi uma decisão histórica, com 265 parlamentares votando a favor da proibição, superando os 226 votos mínimos necessários. Apenas 29 votaram contra o projeto e outros quatro se abstiveram. Agora, o projeto seguirá para o presidente Zelensky, que é esperado assiná-lo, abrindo caminho para uma intensificação da perseguição à UOC, com casos de prisão de padres e bispos.
Em outubro do ano passado, quando o projeto foi apresentado no parlamento, a UOC nomeou o advogado internacional Robert Amsterdam para ajudar na resposta às crescentes atitudes do governo ucraniano. Amsterdam destacou que a UOC é uma igreja independente e que o projeto de lei representa um retrocesso, violando compromissos legais internacionais e a constituição ucraniana. Além disso, em alguns casos recentes, membros do clero ortodoxo foram presos ou sofrem assédio por grupos nacionalistas ucranianos por defender a paz entre os dois países.
Horas após a votação no parlamento, um porta-voz da Igreja Ortodoxa Russa afirmou que a proibição é um ato ilegal e uma violação grosseira dos princípios básicos de liberdade de consciência e direitos humanos. A medida evidencia um contexto mais amplo de tensões e suspeitas em relação à Rússia, com a política do governo de Zelensky para eliminar a língua russa da vida pública, mesmo com um terço da população ucraniana falando russo como primeira língua, especialmente no leste e parte do sul.






