FTX declarou falência em 11 de novembro de 2022 e, no mesmo dia, foi hackeado em um valor de US$ 477 milhões. A maioria dos fundos, principalmente em ether (ETH), permaneceu inativa por cinco dias. Posteriormente, uma quantia substancial de 65.000 ETH (equivalente a US$ 100 milhões) foi transferida para o blockchain do Bitcoin utilizando o serviço RenBridge. Os responsáveis então utilizaram um mixer. Dos 4.536 Bitcoins convertidos de Ether através do RenBridge, aproximadamente 2.849 BTC foram enviados através de mixers, predominantemente um serviço chamado ChipMixer. Pelo menos US$ 4 milhões conseguiram chegar a exchanges de criptomoedas, onde poderiam ser convertidos em dinheiro.
Há especulações de que os perpetradores poderiam ter levado uma quantia maior se não fosse pela ação rápida tomada pela equipe da FTX e pelos consultores de falência. Eles conseguiram proteger ativos no valor de mais de US$ 300 milhões antes que o ladrão tivesse a chance de acessá-los. A empresa de inteligência em blockchain, Elliptic, afirmou que um ator ligado à Rússia parece ser uma possibilidade mais forte por trás do roubo. Notavelmente, uma parte substancial dos ativos furtados, rastreável através do ChipMixer, parece estar misturada com fundos de organizações criminosas afiliadas à Rússia, como coletivos de ransomware e mercados da darknet, antes de eventualmente serem transferidos para exchanges de criptomoedas. Isso sugere o possível envolvimento de um intermediário, possivelmente um corretor, com laços com a Rússia. Além disso, é importante destacar que uma parte significativa dos fundos roubados permaneceu inativa por vários meses, apenas se tornando ativa pouco antes do início do julgamento de Bankman-Fried. Isso difere da norma típica, onde os lavadores de dinheiro de criptomoedas costumam esperar anos para transferir e liquidar seus ativos, uma vez que o interesse público diminuiu.
Possíveis Suspeitos e investigação ém Andamento:
Na sua última pesquisa, a Elliptic também levantou suspeitas em relação aos funcionários da FTX que teriam acesso aos ativos de criptomoedas da empresa para movimentá-los por motivos operacionais. Dadas as circunstâncias caóticas em torno da falência e queda da FTX, teria sido possível para um insider roubar esses ativos. Bankman-Fried é outra pessoa sob suspeita, mas a Elliptic reconheceu que seu acesso limitado à internet impediria quaisquer tentativas de lavagem de dinheiro. A Elliptic também indicou que as práticas de segurança negligentes da FTX podem ter facilitado o roubo por parte de uma parte externa. O novo CEO da FTX revelou que as chaves privadas que concedem acesso aos ativos de criptomoedas da empresa eram armazenadas sem criptografia, e um ex-funcionário revelou que mais de US$ 150 milhões foram retirados da Alameda Research devido a medidas de segurança inadequadas. Além disso, o uso do mixer Sinbad pode sugerir o envolvimento do grupo Lazarus da Coreia do Norte, conhecido por alguns dos maiores roubos de ativos digitais. No entanto, os métodos usados para lavar os ativos roubados parecem ser menos sofisticados em comparação com as táticas típicas do grupo Lazarus.
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