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A máxima “Vox populi, vox dei” (“a voz do povo é a voz de Deus”, em tradução livre) é profundamente enraizada nas mentes de muitos políticos e economistas, influenciando de forma indelével as políticas governamentais e econômicas. Esta abordagem assume que a opinião pública, muitas vezes coletada por meio de pesquisas, deve ser um dos pilares na formulação de políticas públicas. No entanto, em anos eleitorais, a influência desta “voz do povo” se amplifica, assumindo uma posição de verdade empírica incontestável que ultrapassa até os poderes divinos. Este fenômeno é especialmente notável no debate sobre a força da economia doméstica, geralmente associada às políticas da Casa Branca, apesar da capacidade limitada do presidente de influenciar aspectos além de grandes linhas de comunicação política.
Uma pesquisa recente do Wall Street Journal revelou que menos de um terço dos eleitores concorda que a economia melhorou nos últimos dois anos, apesar do crescimento médio do PIB em 3,9%, o melhor desempenho em mais de uma década. Esta percepção pública contrasta fortemente com os avanços econômicos concretos sob a gestão do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que conseguiu reduzir a inflação de 9,1% para cerca de 3,1% no mesmo período, além de adicionar 15 milhões de novos empregos à economia e garantir ganhos salariais sólidos.
Similarmente, uma enquete do New York Times indica que quase três quartos dos entrevistados avaliam a economia como “apenas razoável” ou “pobre”, desconsiderando o fato de que o crescimento dos EUA superou todos os outros mercados de tamanho comparável no mundo desde a pandemia de 2020. Além disso, o mercado de ações atingiu recordes históricos, com o Dow Jones Industrial Average se aproximando da marca de 40.000 pontos, valor mais de 33% superior ao pico registrado durante o mandato de quatro anos do ex-presidente Donald Trump. Apesar dos recordes na bolsa de valores, as pressões inflacionárias tendem a eclipsar a força do mercado de trabalho e os ganhos no mercado de ações, principalmente porque os preços em alta afetam a totalidade da população, enquanto a perda de empregos impacta um número menor de pessoas.
A persistência da inflação acima da meta de 2% do Federal Reserve, ao lado de um dos mercados de trabalho mais resilientes e surpreendentes aos olhos de Wall Street, desafia as visões tradicionais. Apesar das altas taxas de juros, houve a adição de mais de 15 milhões de novos empregos à economia desde 2022, mantendo a taxa de desemprego abaixo de 4% nos últimos dois anos, o mais longo período desde a Guerra do Vietnã. Os dados recentes mostram a adição de 303.000 novos empregos apenas em março, superando as expectativas e demonstrando uma economia em expansão com contratações robustas, aumento nos salários e inflação em desaceleração. A resistência da economia, impulsionada por índices recordes de emprego e controle inflacionário, reflete a eficácia das políticas econômicas em vigor, apesar das percepções públicas em contrário. A realidade das conquistas econômicas, contrastando com a percepção pública pessimista, destaca a complexidade de alinhar as políticas econômicas com a ‘vox populi’ em uma sociedade cada vez mais polarizada.






