- A inflação harmonizada da UE (IHPC) da Espanha subiu para 5,0% ano a ano em setembro, acima dos 4,7% de agosto.
- A inflação subjacente, que exclui os voláteis preços de alimentos e energia, também acelerou, sinalizando pressões de preços mais amplas.
- A leitura mantém a inflação espanhola bem acima da meta de médio prazo de 2% do Banco Central Europeu.
- A economia espanhola tem estado entre as de crescimento mais rápido da zona do euro, complicando o cálculo de política do BCE.
A Inflação Espanhola Acelera Novamente
A taxa de inflação da Espanha subiu para 5,0% em setembro em base harmonizada pela UE, de acordo com a estimativa preliminar da agência de estatísticas do país. A leitura marca uma nova aceleração em relação aos 4,7% de agosto e mantém o crescimento dos preços ao consumidor espanhóis em um nível visto pela última vez durante o pico impulsionado pela energia que se seguiu à invasão da Ucrânia pela Rússia. O aumento foi impulsionado em grande parte por efeitos de base na energia e pelo fortalecimento dos preços dos serviços, uma categoria que se mostrou teimosamente resistente à desinflação mais ampla em curso em grande parte da Europa.
Os detalhes do relatório importam tanto quanto o número principal. A inflação subjacente, que exclui alimentos e energia, também subiu, sugerindo que as pressões de preços não estão mais confinadas aos componentes voláteis que dominaram o surto inflacionário de 2022. A inflação de serviços, em particular, permaneceu elevada, refletindo a forte demanda interna e um mercado de trabalho apertado. A economia espanhola superou seus pares maiores da zona do euro no último ano, apoiada pelo turismo, pelo crescimento da oferta de trabalho impulsionado pela migração e pelos gastos resilientes das famílias. Essa força, embora bem-vinda para o crescimento, torna o problema da inflação mais difícil de resolver.
O Que Significa para o BCE
Os dados espanhóis chegam enquanto o Banco Central Europeu avalia o quanto mais pode flexibilizar a política. O BCE tem navegado um equilíbrio delicado: a inflação principal em toda a zona do euro caiu acentuadamente desde seu pico de dois dígitos, mas os preços dos serviços e o crescimento dos salários esfriaram mais lentamente. Uma leitura como a da Espanha reforça o argumento pela cautela. Se os números de inflação nacionais em todo o bloco continuarem a surpreender para cima, o BCE pode ser forçado a manter as taxas estáveis por mais tempo do que os mercados atualmente esperam, ou a desacelerar o ritmo de quaisquer cortes.
Para os mercados, a implicação imediata é um euro modestamente mais firme e pressão sobre os títulos públicos da zona do euro, particularmente na ponta curta da curva, onde as expectativas de política são mais sensíveis. Os títulos públicos espanhóis, ou bonos, podem ver seu spread sobre os Bunds alemães se ampliar se os investidores começarem a questionar se a tendência de desinflação está estagnando. Os mercados de ações, por sua vez, enfrentam uma tensão familiar: um crescimento nominal mais forte sustenta as receitas corporativas, mas a inflação persistente atrasa o alívio das taxas que tem sustentado as avaliações em setores sensíveis a taxas, como imóveis e serviços públicos.
Observando os Próximos Números
O número de setembro da Espanha é uma estimativa preliminar e será revisado quando os dados finais forem publicados ainda este mês. Os investidores devem tratá-lo como um sinal, e não como um fato consolidado. O teste mais importante virá da estimativa preliminar de toda a zona do euro e das maiores economias, particularmente Alemanha e França, onde a dinâmica da inflação diferiu significativamente da espanhola. Se a aceleração espanhola for ecoada em outros lugares, a margem de manobra do BCE se estreita consideravelmente.
Por ora, a conclusão é que a última milha da desinflação continua sendo a mais difícil. O número de 5,0% da Espanha é um lembrete de que, mesmo em uma economia crescendo mais rápido que seus vizinhos, a estabilidade de preços ainda não foi restaurada. Até que a inflação de serviços e o crescimento dos salários desacelerem de forma convincente, o BCE provavelmente manterá suas opções abertas e resistirá a se comprometer com um caminho predeterminado de cortes de taxas. Os investidores posicionados para uma flexibilização rápida podem precisar ajustar suas expectativas.
Fonte: investing.com
