Recompra de Ações da Berkshire Dispara Enquanto Caixa Cai
A Berkshire Hathaway acelerou suas recompra de ações e reduziu seu caixa no segundo trimestre, ao mesmo tempo em que reportou lucros operacionais que superaram as estimativas dos analistas. A empresa recomprou US$ 4,5 bilhões de suas próprias ações entre abril e junho e mais US$ 3,3 bilhões em julho, ampliando um programa de recompra retomado em março após uma pausa de quase dois anos.
Por Que as Recompras Aceleraram Após a Pausa
O ritmo das recompras reflete a visão da administração de que as ações da Berkshire permanecem subvalorizadas em relação ao seu valor intrínseco. No primeiro semestre de 2025, a empresa recomprou um total de US$ 7,8 bilhões, um contraste acentuado com os quatorze trimestres anteriores, quando foi vendedora líquida de ações.
Essa mudança é notável porque a Berkshire havia se abstido de recompras por quase dois anos, preferindo conservar caixa para potenciais aquisições ou oportunidades de mercado. A aceleração sugere que o CEO Greg Abel, que assumiu de Warren Buffett no início de 2025, está mais disposto a alocar capital diretamente nas ações da própria empresa quando as avaliações são atraentes.
Participação na Alphabet Cresce para US$ 10 Bilhões
A Berkshire também adicionou US$ 10 bilhões à sua posição na Alphabet, controladora do Google e do YouTube. Essa compra torna a Alphabet uma das maiores participações da Berkshire por valor de mercado, ao lado de posições de longa data em Apple, Bank of America e Coca-Cola.
O aumento do investimento na Alphabet sinaliza um apetite contínuo por ações de tecnologia de grande capitalização, mesmo após a Berkshire ter reduzido algumas outras posições em tecnologia nos últimos anos. Isso também diversifica o portfólio da Berkshire além de seus negócios tradicionais de seguros, ferrovias e energia.
Lucro Trimestral Sobe 16% Para US$ 12,98 Bilhões
O lucro operacional subiu 16% ano a ano, para US$ 12,98 bilhões, superando as previsões do consenso. A receita aumentou 10%, para US$ 101,81 bilhões, impulsionada pela força em várias unidades operacionais.
A divisão ferroviária BNSF e os negócios de serviços, incluindo NetJets e a distribuidora de componentes eletrônicos TTI, registraram ganhos sólidos. Essas melhorias compensaram parcialmente a fraqueza na Geico, a seguradora de automóveis, onde os custos de sinistros e as pressões competitivas pesaram sobre os resultados.
O Que Está Impulsionando a Mudança Para Comprador Líquido
A Berkshire comprou quase US$ 20 bilhões a mais em ações do que vendeu durante o trimestre, encerrando uma sequência de quatorze trimestres como vendedora líquida. Isso marca uma virada estratégica em relação à postura defensiva que caracterizou o período pós-2023, quando Buffett acumulou uma reserva de caixa recorde.
As participações em caixa da empresa diminuíram como resultado, embora o valor exato não tenha sido divulgado no contexto fornecido. A redução sugere que a administração vê melhores oportunidades em recompras e compras seletivas de ações do que em manter caixa nos rendimentos atuais.
Para os investidores, o movimento é um sinal de que a liderança da Berkshire acredita que o mercado está subvalorizando suas próprias ações e que suas empresas do portfólio permanecem fundamentalmente fortes.
Quais Divisões Superaram e Quais Ficaram Para Trás
A BNSF continuou a se beneficiar de volumes de carga e preços estáveis, enquanto a NetJets viu aumento na demanda por viagens aéreas de luxo. A TTI, distribuidora de eletrônicos, capitalizou a forte demanda na cadeia de suprimentos de semicondutores e industriais.
A Geico, no entanto, enfrentou pressão nas margens devido à maior frequência e gravidade de sinistros, especialmente em linhas de automóveis pessoais. A seguradora tem investido em tecnologia e melhorias de subscrição, mas esses esforços ainda não compensaram totalmente o ambiente competitivo.
No geral, o modelo diversificado mostrou-se resiliente, com ganhos em transporte e serviços compensando os ventos contrários no setor de seguros.
O Que Observar: Nível de Caixa e Ritmo de Recompras
Os investidores devem observar o saldo de caixa trimestral da Berkshire e o ritmo das recompras nos próximos meses. Uma redução contínua no caixa, juntamente com recompras sustentadas, confirmaria que a administração vê poucos alvos de aquisição e prefere devolver capital aos acionistas.
O próximo relatório de lucros, previsto para o início de novembro, revelará se o ímpeto das recompras de julho continuou e se novas grandes compras de ações foram feitas. Um novo aumento na participação da Alphabet ou recompras adicionais reforçariam a tese de que a Berkshire está comprometida com uma alocação agressiva de capital.



