Ouro Recua Antes de Dado-Chave de Inflação
Os preços do ouro caíram ligeiramente na terça-feira, 25 de agosto de 2026, recuando da máxima de três meses, enquanto investidores adotavam cautela antes dos dados mais recentes de inflação dos EUA e do discurso do governador do Federal Reserve, Kevin Warsh. O ouro à vista era negociado perto de US$ 2.480 a onça, queda de 0,4% no dia, após atingir seu nível mais alto desde o final de maio no início desta semana.
O recuo ocorre enquanto os mercados reavaliam a probabilidade de novos cortes de juros pelo Fed. De acordo com o CME FedWatch, os traders atualmente precificam uma chance de 72% de um corte de 25 pontos-base na reunião de setembro, abaixo dos 80% de uma semana atrás. Essa mudança reflete a crescente incerteza sobre o ritmo da desinflação e o próximo movimento do banco central.
Por Que o Discurso de Warsh Importa para o Ouro
O governador Warsh, conhecido por sua postura hawkish (inclinada ao aperto monetário), está programado para falar no simpósio de Jackson Hole ainda hoje. Espera-se que seus comentários tragam clareza sobre o caminho da política do Fed, particularmente em relação a se o recente arrefecimento da inflação é suficiente para justificar um afrouxamento. Um tom mais hawkish pode fortalecer o dólar americano e pressionar o ouro, enquanto uma surpresa dovish (inclinada ao afrouxamento) pode reacender as compras.
O ouro tem sido sustentado pela forte demanda dos bancos centrais e pelas tensões geopolíticas, mas a força do dólar continua sendo um obstáculo. O Índice do Dólar Americano (DXY) subiu 0,2%, para 104,8, tornando o metal mais caro para compradores no exterior. Analistas observam que a correlação do ouro com os rendimentos reais se tornou mais pronunciada nos últimos meses, ampliando sua sensibilidade às comunicações do Fed.
Dados de Inflação: Qual Número Poderia Romper o Intervalo?
O índice de preços PCE de julho, que será divulgado na quinta-feira, é o indicador de inflação preferido do Fed. Economistas esperam um aumento de 0,2% na comparação mensal e uma taxa anual de 2,5%, igualando a leitura de junho. O núcleo do PCE deve subir 0,2% no mês e 2,7% ao ano. Um resultado acima do esperado pode empurrar o ouro de volta para o suporte de US$ 2.450, enquanto uma leitura mais fria pode desencadear uma ruptura acima de US$ 2.500.
Os participantes do mercado também estão observando os dados salariais e o sentimento do consumidor, mas a divulgação do PCE continua sendo o principal catalisador. “Se houver uma surpresa negativa no núcleo do PCE, o ouro pode subir fortemente, à medida que as apostas em cortes de juros se intensificam”, disse um estrategista de commodities de um banco europeu. Por outro lado, uma inflação persistente provavelmente manteria o Fed em espera, limitando o potencial de alta do ouro.
Níveis Técnicos e Posicionamento
Do ponto de vista técnico, a máxima recente do ouro em US$ 2.495 marca uma zona de resistência-chave. Um fechamento diário acima desse nível abriria as portas para a marca psicológica de US$ 2.500 e, potencialmente, um teste da máxima histórica perto de US$ 2.540, registrada em abril. No lado negativo, a média móvel de 50 dias em US$ 2.430 fornece suporte próximo, seguida pelo número redondo de US$ 2.400.
Os dados da CFTC da semana passada mostraram que os gestores de fundos reduziram suas posições líquidas compradas em futuros de ouro em 3,2%, sugerindo alguma realização de lucros após a recente alta. No entanto, os fluxos para ETFs permaneceram positivos, com o maior fundo lastreado em ouro, o SPDR Gold Shares, adicionando 4,2 toneladas nas últimas cinco sessões, indicando que o interesse institucional persiste.
O Que Observar em Seguida
Todos os olhos estão voltados para o relatório do PCE de quinta-feira e para o discurso de Warsh em busca de pistas direcionais. Se o núcleo da inflação vier em 0,3% ou mais, espere que o ouro teste a parte inferior de seu intervalo. Por outro lado, uma leitura de 0,1% pode provocar uma alta para novas máximas. Os traders também devem monitorar a reação do dólar a qualquer comentário do Fed, já que uma mudança dovish provavelmente enfraqueceria o dólar e impulsionaria o ouro.
Além desta semana, a reunião do FOMC de setembro continua sendo o evento-chave. Um corte confirmado provavelmente apoiaria o ouro, mas o mercado já precificou um afrouxamento significativo. O verdadeiro teste será se o Fed sinalizar novos cortes ou uma pausa após setembro, o que pode determinar a trajetória de médio prazo do ouro.





