Lucro do 3º Trimestre do Scotiabank Supera Projeções
TORONTO – O Bank of Nova Scotia (Scotiabank) divulgou na terça-feira resultados do terceiro trimestre fiscal de 2026 que superaram as expectativas dos analistas, impulsionados pelo crescimento em todas as suas linhas de negócios. O banco registrou lucro ajustado por ação de C$ 1,85, superando a estimativa consensual de C$ 1,78, segundo dados compilados pela Bloomberg. A receita subiu 8% em relação ao ano anterior, para C$ 8,2 bilhões, impulsionada pelo forte desempenho no banco de varejo canadense, no banco internacional e na gestão de patrimônio global.
Banco Canadense Lidera com Crescimento de Empréstimos
O banco canadense, o maior segmento da instituição, registrou aumento de 12% no lucro líquido, para C$ 1,2 bilhão, nos três meses encerrados em 31 de julho de 2026. O crescimento foi sustentado por uma alta de 6% nas hipotecas residenciais e um aumento de 9% nos empréstimos comerciais, refletindo demanda resiliente apesar das taxas de juros mais altas. A margem de juros líquida expandiu 10 pontos-base, para 2,45%, auxiliada por precificação disciplinada e um mix favorável de depósitos.
O índice de eficiência do banco melhorou para 55,2%, ante 56,8% no ano anterior, indicando melhor controle de custos. Executivos creditaram os ganhos à adoção digital e à otimização das agências, com os volumes de transações migrando para canais móveis em ritmo recorde.
Unidades Internacionais se Recuperam Após Ano Volátil
A divisão de banco internacional do Scotiabank, que opera na América Latina e no Caribe, registrou lucro líquido de C$ 480 milhões, alta de 15% em relação ao ano anterior. A recuperação foi liderada pelo México, onde o crescimento econômico e o maior consumo impulsionaram a demanda por crédito. No entanto, a administração alertou que as pressões inflacionárias em alguns mercados podem moderar a expansão futura.
A gestão de patrimônio também contribuiu, com os ativos sob administração subindo 11%, para C$ 410 bilhões, beneficiando-se de ganhos de mercado e entradas líquidas. A posição de capital do banco permaneceu robusta, com índice de capital comum nível 1 (CET1) de 12,4%, bem acima dos mínimos regulatórios.
Provisões para Perdas de Crédito Permanecem Baixas
As provisões para perdas de crédito totalizaram C$ 520 milhões, ligeiramente abaixo do consenso de C$ 540 milhões, com as taxas de inadimplência permanecendo próximas das mínimas históricas. A exposição do banco ao setor imobiliário comercial, uma preocupação para investidores, foi limitada a 4% do total de empréstimos, com a maior parte em propriedades de escritórios e industriais de alta qualidade. A administração observou que os testes de estresse mostraram resiliência em cenários adversos.
Reação do Mercado e Comparação com Pares
As ações do Scotiabank subiram 2,3%, para C$ 78,40, nas negociações de terça-feira em Toronto, superando o índice S&P/TSX Composite, que avançou 0,4%. O resultado acima do esperado ocorre em um trimestre misto para os bancos canadenses, com o Royal Bank of Canada (RY) reportando resultados em linha no início do mês, enquanto o Toronto-Dominion Bank ficou aquém devido a provisões mais altas. As fontes de receita diversificadas e a forte posição de capital do Scotiabank o tornaram um favorito relativo entre os analistas, com 12 de 18 recomendando compra.
O retorno sobre o patrimônio do banco melhorou para 14,2%, ante 13,5%, sinalizando maior rentabilidade. A administração reiterou sua meta de médio prazo de 14-15% de RoE, apoiada por iniciativas de corte de custos e crescimento em mercados de alta margem.
O Que Observar: Crescimento de Empréstimos e Sustentabilidade da Margem
Os investidores agora focarão em saber se o Scotiabank conseguirá sustentar seu ritmo no quarto trimestre, especialmente porque a trajetória das taxas do Banco do Canadá permanece incerta. O próximo dado-chave é o lucro do quarto trimestre fiscal do banco, esperado para o final de novembro, quando os analistas examinarão as tendências de crescimento de empréstimos e margem de juros líquida.
Além disso, qualquer sinal de deterioração nos mercados emergentes pode pressionar o segmento internacional. Uma desaceleração mais acentuada do que o esperado no México ou um aumento nos custos de crédito desafiariam a tese otimista. Por outro lado, a expansão contínua da margem e a qualidade de crédito estável apoiariam novas altas.


