A Virada do Azerbaijão para as Renováveis Após a COP29
Baku, a capital do Azerbaijão, rica em petróleo, está apostando forte em energia limpa. O país, que sediou a cúpula climática COP29 em novembro de 2024, agora está implantando capacidade renovável significativa para diversificar sua matriz energética. O gás natural ainda forneceu 67% da energia do Azerbaijão em 2023, com petróleo e derivados em 31,1%, mas novos projetos solares e eólicos devem mudar esse equilíbrio.
O governo assinou acordos com investidores estrangeiros para construir mais de 10 gigawatts de capacidade solar e eólica até 2030. Isso marca uma mudança estratégica para uma nação que bombeia petróleo bruto desde meados do século XIX, visando reduzir a dependência doméstica de combustíveis fósseis e, ao mesmo tempo, liberar mais petróleo e gás para exportação.
Por que Baku Vê as Renováveis como uma Jogada de Exportação
A virada do Azerbaijão não é apenas sobre clima—é sobre economia. Ao substituir o consumo doméstico de gás por renováveis, o país pode redirecionar mais de seu gás natural para os lucrativos mercados europeus. O Corredor Sul de Gás, que começou a entregar gás azerbaijano à Europa em 2020, expandiu sua capacidade para 16 bilhões de metros cúbicos por ano, e Baku planeja aumentar ainda mais.
Essa estratégia espelha uma tendência mais ampla em economias dependentes de combustíveis fósseis: usar renováveis para liberar hidrocarbonetos para exportação. Para o Azerbaijão, cada megawatt de energia solar ou eólica que abastece o consumo doméstico teoricamente adiciona ao excedente de gás exportável. Analistas estimam que cada gigawatt de nova capacidade renovável poderia liberar cerca de 0,5 bilhão de metros cúbicos de gás anualmente, com base em taxas típicas de substituição.
Investimento Estrangeiro e a Meta de 2030
O principal motor é o capital estrangeiro. A Masdar, empresa de energia renovável dos Emirados Árabes Unidos, está construindo uma usina solar de 230 MW no distrito de Garadagh, que começou a operar em 2023. Em 2024, o Azerbaijão assinou acordos com a ACWA Power da Arábia Saudita e a BP para projetos adicionais de solar e eólico, incluindo um parque eólico onshore de 1,5 GW na região de Absheron.
Espera-se que esses projetos atraiam US$ 2 bilhões em investimento estrangeiro até 2027, de acordo com declarações do governo. A meta é que as renováveis representem 30% da capacidade instalada de eletricidade até 2030, acima dos cerca de 8% atuais. Esta é uma jogada ousada para um país cujas exportações de energia representam mais de 80% de suas receitas de exportação.
Riscos que Podem Inviabilizar o Impulso Verde
O risco de execução é alto. Os projetos de renováveis do Azerbaijão enfrentaram atrasos devido a problemas de conexão à rede, disputas de direitos de terra e a necessidade de nova infraestrutura de transmissão. O regulador de energia do país tem sido lento para aprovar atualizações da rede, que são críticas para integrar a energia solar e eólica intermitente.
Além disso, a vontade política pode diminuir se os preços do petróleo dispararem. Se o petróleo bruto permanecer acima de US$ 80 por barril, o incentivo para diversificar diminui, pois as receitas do petróleo fornecem uma proteção fiscal. Por outro lado, uma queda sustentada abaixo de US$ 60 poderia acelerar a transição verde, já que Baku busca se proteger contra a volatilidade das receitas.
O que Observar em 2027
O próximo marco é a conclusão do projeto eólico de 1,5 GW em 2027. Se ele entrar em operação dentro do cronograma, isso sinalizará que a aposta verde do Azerbaijão é real. Fique de olho também no próximo balanço da COP em 2026, onde o progresso do Azerbaijão será examinado. Um número específico para acompanhar: a participação das renováveis na capacidade instalada, que deve atingir 15% até o final de 2026. Se isso falhar, a meta de 30% para 2030 parece duvidosa.






