Chefe do Tesouro Rejeita Questionamentos de Senadora sobre Intervenção Cambial
O Secretário do Tesouro, Scott Bessent, rebateu na sexta-feira as exigências da Senadora Elizabeth Warren por detalhes sobre a intervenção de compra de ienes da administração Biden, oferecendo um guia introdutório sarcástico intitulado “Câmbio para Leigos” em vez dos números solicitados. A troca de correspondências, datada de 29 de agosto de 2026, destaca uma crescente lacuna de transparência entre o poder executivo e o Capitólio em relação à política cambial.
Warren, democrata de Massachusetts, havia perguntado quanto de iene o Tesouro comprou, a taxa de execução e o valor atual da posição. A resposta de Bessent, obtida pela mídia financeira, não divulgou nenhum desses números, optando por uma aula sobre mecânica básica de câmbio.
Por que Warren Exige Dados Específicos sobre a Compra de Ienes
O questionamento de Warren decorre da primeira intervenção direta do Tesouro no mercado de ienes desde 2011, executada em julho de 2026 para conter a queda do iene além de 160 por dólar. O Tesouro não divulgou o total de ienes comprados, a taxa média de execução ou o valor de mercado da posição, apesar de pedidos repetidos. Essa opacidade deixa os contribuintes expostos a perdas potenciais se o iene se enfraquecer ainda mais, um risco que Warren sinalizou em declarações públicas.
Analistas estimam que o tamanho da intervenção pode variar de US$ 20 bilhões a US$ 50 bilhões, com base em dados de custódia do Federal Reserve, mas não existe um número oficial. O tom desdenhoso de Bessent sugere que a administração vê a intervenção como uma operação rotineira de liquidez, não como uma aposta estratégica que exija divulgação.
Guia para Leigos de Bessent Mascara uma Mudança de Política
Em sua resposta, Bessent explicou que intervenções cambiais são tipicamente esterilizadas e temporárias, sugerindo que a posição em ienes é um hedge de curto prazo, e não um ativo de longo prazo. Mas veteranos do mercado observam que, se a posição não for protegida, os EUA podem enfrentar perdas não realizadas de bilhões se o iene reverter os ganhos obtidos após a intervenção. O iene se fortaleceu de 161,2 para 156,8 na semana seguinte ao movimento, mas desde então recuou para 158,4 em 28 de agosto de 2026.
A recusa do Tesouro em publicar dados quebra um precedente estabelecido pelo Japão, que divulga regularmente os valores das intervenções em poucos dias. Essa assimetria alimenta especulações de que a intervenção dos EUA foi maior do que o admitido, ou que as perdas já estão se acumulando.
Reação do Mercado e Perspectivas para o Dólar-Iene
O USD/JPY foi negociado a 158,4 na sexta-feira, queda de 1,7% em relação ao pico de julho, mas ainda 12% acima da média de 2025. O índice do dólar ($DX-Y.NYB) permanece suportado pelas expectativas de aumento das taxas do Fed, complicando qualquer fortalecimento adicional do iene. Os traders veem a intervenção como um evento isolado, com o preço das opções implicando uma probabilidade de 70% de que não haja ação de acompanhamento dentro de três meses.
Para o Japão, a intervenção aliviou os custos de importação, mas o Ministério das Finanças sinalizou que agirá novamente se o iene romper a marca de 160. O silêncio do Tesouro dos EUA sobre sua própria posição deixa um vácuo de dados que pode amplificar a volatilidade se o iene se mover bruscamente em qualquer direção.
O que Observar: Próximo Relatório Trimestral do Tesouro
A próxima oportunidade de divulgação é o relatório cambial trimestral do Tesouro, previsto para 15 de outubro de 2026. Se Bessent omitir os detalhes da compra de ienes nesse relatório, espere renovada pressão do Congresso e possível legislação exigindo transparência. Um número-chave a observar é o saldo do fundo de estabilização cambial do Tesouro, que revelará a escala da intervenção quando for publicado.






