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Yield de 4,3% e P/L de 16x da PepsiCo parecem baratos, mas fique de olho nesses dois riscos $PEP

Avaliação da PepsiCo: A Mais Barata em Anos

No início de setembro de 2026, a PepsiCo (NASDAQ: PEP) negocia a aproximadamente 16 vezes os lucros futuros, um múltiplo não visto desde a liquidação do mercado em 2018. Isso representa um desconto significativo em relação à sua média de cinco anos, de cerca de 22 vezes, e vem com um rendimento de dividendos de 4,3% — o maior em mais de uma década. Para investidores focados em renda, a ação oferece uma combinação rara de um negócio defensivo de bens de consumo básicos e um pagamento que supera o rendimento do título do Tesouro de 10 anos, que está perto de 3,9%.

A diferença de avaliação é ainda mais marcante quando comparada à rival Coca-Cola (NYSE: KO), que negocia a cerca de 24 vezes os lucros, apesar de um rendimento menor, de 3,1%. O índice preço/lucro da PepsiCo comprimiu 27% em relação ao pico de 2023, enquanto seu dividendo cresce há 52 anos consecutivos. Isso sugere que o mercado está precificando mais pessimismo do que os fundamentos da empresa podem justificar.

Por Que a Ação Ficou Para Trás: Problemas de Volume e Aumentos de Preço

As ações da PepsiCo caíram 11% no acumulado do ano até o início de setembro de 2026, ficando atrás do ganho de 4% do S&P 500. O principal culpado é o crescimento lento do volume orgânico. Em seu relatório trimestral mais recente (2º trimestre fiscal, encerrado em 13 de junho de 2026), a empresa registrou um declínio de 2% no volume orgânico, marcando o terceiro trimestre consecutivo de volume negativo. A administração tem se apoiado em aumentos de preços para compensar isso, mas essa estratégia mostra sinais de esgotamento, à medida que consumidores sensíveis a preços migram para marcas próprias de salgadinhos e bebidas.

A Quaker Foods, uma divisão que a PepsiCo tenta reestruturar desde um recall em 2023, continua sendo um peso. O recall, que envolveu barras de granola e cereais devido ao risco de salmonela, custou à empresa mais de US$ 100 milhões em vendas perdidas e medidas corretivas. Embora novas embalagens e campanhas de marketing lançadas no início deste ano visem reconstruir a confiança, a participação de mercado da divisão ainda não se recuperou totalmente, e concorrentes como a General Mills aproveitaram a lacuna.

Resiliência de Margem e Corte de Custos Fornecem um Piso

Apesar das pressões de volume, a margem bruta da PepsiCo expandiu 140 pontos-base em relação ao ano anterior, para 55,2% no 2º trimestre de 2026, impulsionada por iniciativas de produtividade e pela redução dos custos de insumos. O plano de economia de custos “Performance com Propósito”, que visa US$ 1,5 bilhão em eficiências anuais até 2027, está no caminho certo. O lucro operacional cresceu 4%, para US$ 3,6 bilhões no trimestre, e a administração reafirmou a meta de crescimento do lucro por ação principal de 5% a 6% para o ano fiscal completo de 2026.

O balanço patrimonial também fornece uma proteção. A PepsiCo tem um índice de alavancagem líquida de 2,3 vezes o EBITDA, bem dentro de sua zona de conforto, e gerou US$ 5,2 bilhões em fluxo de caixa livre no primeiro semestre de 2026. Esse fluxo de caixa cobre o dividendo 1,8 vezes, tornando o rendimento de 4,3% sustentável mesmo que o volume permaneça estável.

Dois Riscos Que Podem Minar o Caso de Alta

O primeiro risco é a desaceleração do consumidor. Se o crescimento da renda disponível nos EUA, que desacelerou para 3,1% em julho de 2026, continuar a diminuir, os aumentos de preços da PepsiCo podem sair pela culatra, forçando gastos promocionais mais profundos. Isso comprimiria as margens e colocaria o múltiplo de 16 vezes em risco de cair para 14 vezes, o que implicaria um preço de ação em torno de US$ 130, abaixo dos atuais US$ 148.

O segundo risco são os custos das commodities. Embora os preços do milho e do óleo vegetal tenham caído, os preços do cacau subiram 45% em 2026 devido às más colheitas na África Ocidental. O portfólio de salgadinhos da PepsiCo depende fortemente de produtos à base de cacau, e se o pico de preço persistir, pode adicionar US$ 200 milhões aos custos anuais de insumos, compensando alguns dos ganhos de produtividade. A empresa protegeu 70% de suas necessidades de cacau para 2026, mas os contratos de 2027 permanecem sem proteção, deixando-a exposta a novos picos.

O Que Pode Mudar a Tese: Fique de Olho no Volume e no Cacau

Para que o caso de alta se mantenha, a PepsiCo precisa mostrar um retorno ao volume orgânico positivo nos próximos dois trimestres. O relatório de lucros do terceiro trimestre da empresa, programado para o final de outubro de 2026, será o primeiro teste. Se o volume se tornar positivo e a administração aumentar sua orientação para o ano completo, a ação pode ser reavaliada para 18 vezes os lucros, implicando um potencial de alta de 12%. Por outro lado, um declínio contínuo no volume e qualquer corte na orientação provavelmente empurrariam a ação para baixo, tornando a avaliação barata uma armadilha.

Os investidores também devem monitorar a curva futura do cacau. Se o contrato de dezembro de 2026, atualmente em US$ 9.800 por tonelada métrica, cair abaixo de US$ 9.000, a pressão sobre os custos de insumos diminuiria, apoiando as margens. Por outro lado, uma alta acima de US$ 10.500 sinalizaria inflação sustentada e colocaria pressão de baixa sobre as estimativas de lucros da PepsiCo.

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