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Eni dobra aposta na Venezuela com esperança de recuperar dívida—será que US$ 3 bi voltam? $CAN

Eni Expande Presença Offshore em Meio a Distensão Política

A gigante italiana de energia Eni (NYSE: E) está aprofundando sua aposta na Venezuela, um movimento que depende da abertura política lenta, mas tangível, do país. Na segunda-feira, 7 de setembro de 2026, a Eni anunciou uma parceria expandida com a estatal PDVSA para desenvolver campos de gás natural offshore em águas venezuelanas, de acordo com fontes familiarizadas com o acordo.

Esta não é uma investida nova — a Eni opera na Venezuela há décadas — mas a escala do novo compromisso sinaliza uma aposta calculada na disposição do governo Maduro de pagar suas dívidas. A empresa é uma das várias petroleiras internacionais que viram bilhões em recebíveis congelados à medida que as sanções dos EUA se intensificaram após 2019.

Por Que a Questão da Dívida de US$ 3 Bilhões é Central

No centro da estratégia da Eni está cerca de US$ 3 bilhões em dívidas e dividendos não pagos que a PDVSA deve à empresa italiana, acumulados ao longo de anos de colapso econômico e sanções. O investimento renovado da empresa é amplamente interpretado como uma aposta de que as recuperações acelerarão à medida que Washington flexibilizar as restrições em troca de progresso democrático.

Analistas apontam para um quadro de licenciamento introduzido pelo Tesouro dos EUA no final de 2023 que permitiu à Chevron retomar operações limitadas, e expansões posteriores que abriram caminho para outras empresas. “O movimento da Eni não é apenas sobre nova produção; é sobre receber pagamentos de obrigações antigas”, disse a analista de energia Maria Fernanda Rodriguez da consultoria Petróleo e Geopolítica, sediada em Caracas.

O valor da dívida não é oficialmente confirmado pela Eni ou pela PDVSA, mas está alinhado com divulgações anteriores e monitoramento do setor. Em seu relatório anual de 2025, a Eni listou recebíveis relacionados à Venezuela de aproximadamente US$ 2,8 bilhões, um número que cresceu ligeiramente desde então.

Jogo de Gás Offshore Visa Demanda Europeia por GNL

O novo acordo foca no campo Perla, um dos maiores depósitos de gás natural da América Latina, localizado no Golfo da Venezuela. A Eni e a PDVSA planejam aumentar a produção dos atuais 400 milhões de pés cúbicos por dia para quase 800 milhões até 2028, com o gás destinado à exportação como gás natural liquefeito (GNL) para compradores europeus.

A busca da Europa por alternativas ao gás russo via gasoduto tornou as reservas venezuelanas mais estrategicamente valiosas. Para a Eni, esta é uma vitória dupla: garante uma fonte de suprimento de baixo custo enquanto aumenta sua alavancagem nas negociações de dívida. “Quanto mais crítica a Eni se torna para a receita de exportação da Venezuela, mais difícil é para a PDVSA ignorar suas obrigações”, disse James Hartley, analista de mercado de petróleo da Energy Aspects, sediada em Londres.

No entanto, a infraestrutura é um gargalo. As plataformas offshore existentes estão envelhecendo, e o histórico operacional da PDVSA é fraco após anos de subinvestimento. A Eni arcará com a maior parte dos gastos de capital, estimados em US$ 1,2 bilhão nos próximos três anos, com retorno dependente tanto da produção quanto da estabilidade política.

Alívio de Sanções: O Ponto de Virada para o Investimento

A expansão da Eni segue um padrão estabelecido por outras grandes empresas ocidentais. Em 2024, a Repsol assinou acordos de gás semelhantes, e em 2025, a Maurel & Prom adquiriu ativos de um concorrente falido. Cada acordo foi condicionado à flexibilização das sanções dos EUA, que continuam sendo o maior fator de risco isolado.

A atual administração dos EUA manteve uma política de via dupla: permitir acordos energéticos limitados enquanto pressiona por eleições livres e a libertação de presos políticos. A licença mais recente, emitida em março de 2026, permite que a Eni e outras empresas exportem gás e recebam pagamentos em moedas não-dólar, uma solução alternativa que facilitou pagamentos parciais.

Mas a situação política é frágil. A eleição primária da oposição em junho de 2026 foi marcada por irregularidades, e observadores internacionais permanecem cautelosos. Se Washington reimpor sanções completas, o novo investimento da Eni pode ficar inviabilizado, e o cronograma de recuperação da dívida se estenderia indefinidamente.

O Que Poderia Romper o Impasse da Dívida

O balanço patrimonial da Eni é forte o suficiente para absorver um cenário de pior caso — seu valor de mercado é de US$ 52 bilhões, e seu fluxo de caixa operacional em 2025 foi de US$ 14 bilhões — mas os acionistas estão observando de perto. As ações da empresa subiram 18% no acumulado do ano, em parte devido ao otimismo sobre este empreendimento.

O número-chave a observar é o próximo relatório de lucros trimestrais no final de outubro, quando a Eni divulgará quaisquer novos recebimentos de caixa da PDVSA. Um pagamento superior a US$ 500 milhões sinalizaria que a recuperação da dívida está ganhando impulso. Por outro lado, um pagamento zero levantaria dúvidas sobre toda a estratégia.

Também é crítica a próxima revisão da licença dos EUA, esperada para dezembro de 2026. Qualquer endurecimento em resposta a reveses políticos interromperia novos investimentos e poderia forçar a Eni a dar baixa em seus ativos venezuelanos.

Por enquanto, a Eni está apostando que a combinação das necessidades energéticas da Europa e a necessidade desesperada de dinheiro da Venezuela manterão a porta aberta. Os próximos 90 dias revelarão se essa aposta compensa ou se torna outro capítulo da longa tragédia econômica do país.

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