Secretário do Tesouro Bessent Leva Estratégia sobre Irã ao G20
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, viaja para a cúpula do G20 no Brasil nesta semana, com o objetivo de reunir aliados em torno da renovada campanha de pressão de Washington contra o Irã, mesmo enquanto disputas tarifárias tensionam as relações com importantes parceiros comerciais. A medida ocorre em meio aos esforços da administração Biden para manter uma frente unida sobre Teerã, ao mesmo tempo em que gerencia atritos na política comercial que complicaram os laços diplomáticos.
A viagem de Bessent, reportada pela Barchart em 31 de agosto de 2026, destaca o delicado ato de equilíbrio enfrentado pelo chefe do Tesouro: defender uma linha dura contra o programa nuclear e as atividades regionais do Irã, sem provocar uma ruptura com aliados por causa das tarifas que já geraram medidas retaliatórias.
Tensões Tarifárias Complicam Consenso Aliado sobre o Irã
O encontro do G20, marcado para 1º e 2 de setembro no Rio de Janeiro, oferece uma plataforma para Bessent pressionar contrapartes europeias e asiáticas, mas o cenário é conturbado. As tarifas recentes dos EUA sobre importações de aço e alumínio, impostas em maio de 2026, atraíram duras críticas da UE e do Japão, que ameaçam com contramedidas. Esse atrito dificultou a obtenção de apoio unânime de Washington para sanções secundárias às exportações de petróleo iraniano, um pilar central de sua estratégia de pressão.
Segundo analistas, as disputas tarifárias corroeram a confiança, com vários membros do G20 vendo a postura dos EUA como coercitiva. “A administração está pedindo que aliados sacrifiquem interesses comerciais por uma agenda de segurança, mas as tarifas enfraqueceram o alto padrão moral”, disse Maria Santos, especialista em política comercial do Instituto Peterson de Economia Internacional.
O que Bessent Espera Conquistar no Rio
A agenda de Bessent inclui reuniões bilaterais com ministros das Finanças da Alemanha, França e Reino Unido, nas quais ele deve enfatizar os custos econômicos de permitir que o Irã expanda suas exportações de energia. Os EUA propuseram uma aplicação mais rigorosa das sanções existentes, incluindo medidas para cortar o acesso iraniano aos sistemas bancários internacionais. No entanto, aliados europeus relutam em reimpor sanções que foram suspensas sob o acordo nuclear de 2015, do qual os EUA se retiraram em 2018.
Em uma coletiva antes da cúpula, um funcionário do Tesouro disse que Bessent destacaria que “as receitas do Irã financiam atividades desestabilizadoras” e que “a ação coletiva é essencial para evitar uma crise regional”. O funcionário não especificou quais novas medidas poderiam ser propostas, mas fontes indicam que os EUA podem pressionar por um congelamento coordenado de ativos iranianos mantidos em países do G20.
Implicações para o Mercado: Petróleo, Ouro e Dólar
Investidores acompanham o G20 de perto em busca de sinais de avanço ou escalada. Os preços do petróleo já subiram 4% na última semana, para US$ 78 o barril, devido a preocupações com oferta mais apertada caso as sanções sejam endurecidas. O ouro, frequentemente visto como porto seguro, subiu levemente para US$ 2.520 a onça, refletindo a incerteza geopolítica.
“Uma postura coordenada sobre o Irã provavelmente elevaria o petróleo e apoiaria o dólar, enquanto um fracasso poderia desencadear um movimento de aversão ao risco nas ações”, disse James Chen, estrategista macro da Global Advisors. O S&P 500 permaneceu em faixa estreita em agosto, com investidores cautelosos diante de tensões comerciais e choques geopolíticos.
O que Está em Jogo para o Comércio Global e a Diplomacia
A reunião do G20 também é um teste para saber se os EUA conseguem separar suas disputas comerciais das questões de segurança. A capacidade de Bessent de garantir uma declaração conjunta sobre o Irã, mesmo que moderada, seria vista como uma vitória diplomática. Mas várias economias emergentes, incluindo Índia e Brasil, resistiram a alinhar-se às sanções dos EUA, citando suas próprias necessidades energéticas e relações comerciais com Teerã.
“Os EUA estão pedindo muito, e o ambiente tarifário dificulta a construção de coalizões”, disse Santos. “Mas o comportamento do Irã, incluindo testes recentes de mísseis e apoio a grupos aliados, pode aproximar alguns indecisos de Washington.”
À medida que a cúpula se desenrola, o número-chave a observar é a linguagem do comunicado final sobre o Irã. Se incluir um apelo por “pressão máxima” ou “aplicação rigorosa”, os mercados podem reagir. Se for diluído para “preocupação”, a lacuna diplomática ficará evidente.






