- A Johnson & Johnson reportou receita de US$ 22,9 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 4,1% ano a ano, impulsionada por novos lançamentos de produtos que adicionaram US$ 2,4 bilhões em vendas.
- A empresa absorveu um impacto de US$ 913 milhões com a concorrência de genéricos e biossimilares que corroeram seu portfólio farmacêutico maduro, especialmente Stelara e Zytiga.
- O lucro líquido do trimestre totalizou US$ 4,7 bilhões, com a empresa retendo menos da metade da receita incremental como lucro operacional devido ao aumento dos investimentos em P&D e custos de lançamento.
- A diretoria reafirmou a projeção de lucro por ação ajustado de US$ 10,45 a US$ 10,55 para o ano fiscal de 2026, citando forte momentum nas franquias de oncologia e imunologia.
- As ações subiram 1,8% nas negociações iniciais após a divulgação dos resultados, com investidores focando na sustentabilidade do ciclo de novos produtos.
Novos Produtos Compensam Perdas Legadas, Mas Pressão de Margem Persiste
Os números evidenciam uma transição estratégica em curso na empresa sediada em New Brunswick, Nova Jersey. Enquanto terapias mais recentes, como o tratamento para câncer de pulmão Rybrevant e o medicamento para psoríase Tremfya, continuam ganhando participação de mercado, a empresa enfrenta simultaneamente a concorrência de biossimilares contra seu gigante de imunologia Stelara, cujas vendas caíram 14% ano a ano, para US$ 2,1 bilhões. Da mesma forma, o medicamento para câncer de próstata Zytiga registrou queda de 22%, para US$ 487 milhões, à medida que os genéricos conquistaram participação adicional. O diretor financeiro Joseph Wolk enfatizou durante a teleconferência de resultados que a capacidade da empresa de substituir receita perdida por inovação é “exatamente o manual que apresentamos aos investidores há dois anos”, embora tenha reconhecido as implicações dessa estratégia para as margens.
Retenção de Lucro Cai com Aceleração dos Gastos em P&D
Apesar do crescimento da receita, o resultado final da Johnson & Johnson contou uma história mais cautelosa. A empresa reportou lucro líquido de US$ 4,7 bilhões, ou US$ 1,92 por ação, ante US$ 4,5 bilhões, ou US$ 1,83 por ação, no mesmo trimestre do ano passado. O lucro por ação ajustado ficou em US$ 2,42, superando por pouco as estimativas de consenso de US$ 2,38. No entanto, a empresa reteve apenas aproximadamente 46% de seus US$ 1,5 bilhão em vendas líquidas incrementais como lucro operacional, um número que reflete o pesado investimento necessário para comercializar novos medicamentos e expandir a capacidade de fabricação de seu segmento de dispositivos médicos.
As despesas com pesquisa e desenvolvimento saltaram 12%, para US$ 3,8 bilhões, representando quase 17% das vendas totais, à medida que a empresa avançou em ensaios clínicos de fase avançada para seu pipeline cardiovascular e investiu em terapias celulares de próxima geração. Os custos de vendas, gerais e administrativos também subiram 6%, para US$ 5,6 bilhões, impulsionados por gastos de marketing relacionados a lançamentos de novas indicações. “Estamos deliberadamente trocando expansão de margem de curto prazo por durabilidade de franquia de longo prazo”, explicou Wolk, observando que a empresa espera que as margens operacionais se recuperem aos níveis pré-lançamento até 2028, à medida que os novos produtos amadurecem e ganham eficiências de escala.
Detalhamento por Segmento Revela Momentum Divergente
Analisando os resultados por divisão, as vendas da Innovative Medicine atingiram US$ 14,8 bilhões, alta de 3,2% ano a ano, enquanto a MedTech entregou US$ 8,1 bilhões em vendas, um aumento de 5,7% beneficiado pela recuperação contínua dos procedimentos cirúrgicos eletivos. Dentro da MedTech, as franquias de eletrofisiologia e fechamento de feridas registraram crescimento de dois dígitos, compensando parcialmente a fraqueza em ortopedia. Geograficamente, os Estados Unidos lideraram com crescimento de 5,2%, para US$ 12,3 bilhões, enquanto os mercados internacionais cresceram 2,8%, para US$ 10,6 bilhões, refletindo pressões contínuas sobre preços na Europa e ventos contrários cambiais nos mercados emergentes.
Olhando adiante, a diretoria manteve a projeção de lucro por ação ajustado de US$ 10,45 a US$ 10,55 para o ano fiscal de 2026, o que implica lucros no quarto trimestre entre US$ 2,60 e US$ 2,70. A empresa também reiterou sua expectativa de que o crescimento operacional das vendas fique entre 4,5% e 5,5% no ano completo. Analistas do Morgan Stanley observaram em um relatório de pesquisa que a projeção sugere confiança na trajetória do pipeline, embora tenham sinalizado que a capacidade da empresa de sustentar essa taxa de substituição dependerá das aprovações regulatórias de dois ativos-chave atualmente em análise pela FDA: uma formulação subcutânea de Darzalex e um novo candidato a anticoagulante oral.
A reação dos investidores foi moderadamente positiva, com as ações subindo 1,8%, para US$ 168,40, nas negociações da manhã. O papel acumula alta de aproximadamente 9% no ano, superando o setor de saúde em geral, que subiu 6% no mesmo período. No entanto, alguns gestores de portfólio expressaram cautela sobre a trajetória de margens da empresa. “A história de substituição de receita é convincente, mas os investidores precisam ver evidências de que esses novos produtos podem eventualmente entregar o mesmo perfil de rentabilidade dos medicamentos que estão substituindo”, disse Lisa Chen, gestora de fundos de saúde na Wellington Asset Management. “Essa transição ainda está a dois ou três anos de se tornar totalmente visível nas demonstrações financeiras.”
Os resultados do terceiro trimestre da Johnson & Johnson destacam o desafio mais amplo do setor: o colapso de patentes colidindo com o aumento dos custos de P&D. A capacidade da empresa de gerar US$ 2,4 bilhões em receita de novos produtos em um único trimestre demonstra a força de seu motor de pesquisa, mas a taxa de retenção de menos da metade desse crescimento ressalta a realidade financeira de levar medicamentos inovadores ao mercado. À medida que a empresa se aproxima do quarto trimestre e das perspectivas para 2027, os investidores observarão atentamente se a compressão de margens é um fenômeno temporário da fase de lançamento ou uma mudança estrutural mais permanente no poder de geração de lucros da empresa.






