Pressão de Bessent no mercado de Treasuries fica aquém do esperado
Desde o final de julho, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, implementou medidas destinadas a estabilizar o mercado de títulos do governo americano, mas especialistas seguem céticos. Até quinta-feira, 20 de agosto de 2026, o rendimento do Treasury de 10 anos oscila perto de 4,35%, acima dos 4,10% registrados quando Bessent anunciou suas intenções pela primeira vez. A iniciativa, que incluiu aumento nas operações de recompra e mudança na composição dos leilões, ainda não conseguiu reduzir de forma significativa a volatilidade ou melhorar a liquidez.
“O mercado não está reagindo à mecânica; está reagindo a pressões estruturais”, disse Jane Doe, estrategista de renda fixa em um grande banco americano. Essas pressões incluem déficits fiscais persistentes, expectativas de inflação e um calendário pesado de ofertas.
Por que as medidas atuais não ganharam tração
A abordagem de Bessent focou em suavizar a curva de juros e apoiar os balanços dos dealers. No entanto, o impacto foi limitado porque o mercado de Treasuries enfrenta ventos contrários que nenhuma política isolada consegue compensar facilmente.
Primeiro, o aperto quantitativo do Federal Reserve continua, reduzindo suas participações em títulos em cerca de US$ 95 bilhões por mês. Segundo, a demanda estrangeira enfraqueceu à medida que bancos centrais como o Banco do Japão ajustam suas políticas de controle da curva de juros. O resultado: a profundidade do mercado de Treasuries diminuiu, e os spreads de compra e venda nos títulos de 10 anos aumentaram 15 pontos-base desde a movimentação inicial de Bessent.
Três estratégias alternativas que Bessent poderia adotar
Diante do sucesso limitado do atual manual, especialistas sugerem opções mais agressivas. Uma delas é expandir significativamente o programa de recompra, mirando o extremo longo da curva para limitar os rendimentos. Outra é reinstituir uma versão da estratégia “Operation Twist”, vendendo títulos de curto prazo para financiar compras de títulos de longo prazo, o que achataría a curva sem expandir o balanço do Fed.
Um terceiro caminho envolve comunicação mais clara. Bessent poderia emitir uma declaração de orientação futura comprometendo-se a manter os tamanhos dos leilões nos níveis atuais pelos próximos dois trimestres, reduzindo a incerteza. “Certeza pode ser tão poderosa quanto ação”, observou um ex-funcionário do Tesouro.
O que mudaria a opinião do mercado
O ceticismo do mercado decorre da falta de convicção de que as medidas de Bessent abordam as causas raiz. Para que a iniciativa tenha sucesso, o Tesouro precisaria ver um declínio sustentado na volatilidade dos rendimentos, medido pelo índice MOVE, que atualmente está em 105 — bem acima da média de 85 de 2024. Uma queda abaixo de 90 sinalizaria estabilização genuína.
Além disso, os estoques de Treasuries nos dealers subiram para US$ 18 bilhões, perto de níveis recordes, indicando que os formadores de mercado estão absorvendo a oferta, mas a um custo. Se Bessent conseguir reduzir esse fardo de estoques, o mercado pode reajustar suas expectativas.
De olho no próximo sinal de política
A próxima data-chave é o anúncio trimestral de refinanciamento em 4 de novembro, quando Bessent detalhará os planos de leilão. Se ele anunciar uma mudança para mais emissões de curto prazo ou um envelope maior de recompra, esse pode ser o ponto de virada. Até lá, o mercado permanece em modo de espera, com os rendimentos provavelmente oscilando entre 4,20% e 4,50%.






